Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

Lúcia Hippólito X Centrais Sindicais.... resultado ....

Suco de jabuticaba pra todo mundo ... oba!!!

Eu fico de saco cheio de falar sério. Como eu não trabalho em blogs da Veja, eu me sinto honrado de participar de uma discussão em um desses blogs, porém não tenho necessidade de atenção.

Lúcia Hippólito, no afã de ressucitar a palavra pelego com um significado exatamente oposto ao original... aqui.

Minha opinião:

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A autora não sabe o que quer dizer "pelego".

Só acha bonito chamar sindicalista de "pelego", como se fosse sinônimo de "babaca", "trouxão" ou "truta zé ruela".

Pelego é aquele pedaço de pele de carneiro que se coloca em cima de uma montaria (ou cavalgadura, como gostam os das antigas) para amaciar o contato com as amarras dos arreios ou da sela. O pelego ajuda o animal aceitar ser montaria mais pacificamente.

Pelego, na acepção sindical do termo, é o sindicalista que defende o patrão, que está mancomunado com o outro lado das negociações.

Um sindicalista que ache bom reduzir a contribuição previdenciária dos patrões, logo, a contribuição para a própria aposentadoria, poderia ser chamado de pelego, concorde-se ou não com a tal redução. Isto é exatamente o oposto do que quis dizer Lúcia Hippólito.

Outra designação menos desairosa para este sindicalista hipotético seria liberal, "neoclássico", já que neoliberal é xingamento... convenhamos, uma raridade.


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A autora gosta do termo "pelego". Ok, o raciocínio humano acomoda proposições contraditórias envolvendo um mesmo termo, como quando partidos políticos usam os mesmos adjetivos para se referirem uns aos outros.

O peleguismo também foi um instrumento de controle político e imposição da liderança do governo sobre os operários na época de Vargas.

Se o governo Lula exerce liderança sobre os trabalhadores, considerá-la automaticamente imposta, pelega é negar direitos aos sindicalistas, isto sim um baita retrocesso.

Centrais sobrevivem há anos com o imposto sindical, e tem sido antagonistas viscerais de governos e entidades patronais, irracionalmente até, muitos argumentam. Logo, dentre os potenciais males do imposto sindical não parece constar o peleguismo. A autora tem posições contrárias às de sindicalistas no governo, simples. Subterfúgios e slogans só atrapalham sua mensagem.

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Aqui, os artigos da autora:

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A República sindicalista – e pelega

A quebra de braço entre a Comissão de Ética Pública e o ministro do Trabalho Carlos Lupi caminha perigosamente para um final melancólico.

Ontem, o presidente da Comissão de Ética Pública desistiu e jogou a toalha: renunciou à presidência.

Em 23 de dezembro do ano passado, a Comissão solicitou ao presidente Lula que demita o ministro Lupi, mas o presidente faz cara de paisagem até hoje.

Com isso, Lupi continua afrontando a Comissão – e a ética: aparelha o Ministério do Trabalho com indicados do PDT, repassa verbas polpudas a ONGs ligadas ao PDT e, arrogantemente, declara: “daqui não saio, daqui ninguém me tira”.

Agora, o novo presidente da Comissão de Ética, o ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence, deu a Lupi dez dias para responder por que continua desrespeitando as determinações da Comissão.

A argumentação do ministro e seus aliados, incluindo aí sindicalistas, alguns senadores e o próprio ministro José Múcio é a de ser presidente de partido em outros países credencia à ocupação de cargos públicos, não o contrário.

Mas este não é o entendimento da Comissão de Ética Pública no Brasil. Ou bem se respeita o entendimento da Comissão, ou ela não tem nenhuma razão de existir.

Aliás, Sepulveda Pertence declarou que, se o ministro se recusar a sair, e se o presidente da República não o demitir, só restará aos membros da Comissão de Ética decidir, em caráter individual, se permanecem ou não na Comissão.

É difícil que a ética saia vencedora neste caso. Todas as seis centrais sindicais decidiram cerrar fileiras para defender a permanência de Lupi no Ministério, sendo que cinco delas entregaram ao presidente Lula uma carta apoiando Carlos Lupi e atacando o ex-presidente Marcílio Marques Moreira.

Este é um governo cheio de sindicalistas, um governo em que os sindicalistas têm enorme força. Agora, por exemplo, antes mesmo de discutir a reforma tributária com governadores e Congresso, o próprio presidente Lula recebeu no Planalto os sindicalistas para apresentar a eles o projeto de reforma.

Os sindicalistas solicitaram – e o presidente concordou – a retirada de um ponto importante da reforma: a redução da contribuição previdenciária dos patrões.

Uma das melhores iniciativas do projeto de reforma, pois propiciaria um aumento de empregos – está muito caro dar emprego formal no Brasil – foi bombardeada pelas centrais sindicais.

Afinal, o papel de uma central não é defender a criação de novos empregos, mas garantir a permanência dos benefícios de quem já tem emprego.

Com isso, antes mesmo de ver o projeto discutido por empresários, políticos e toda a sociedade, o presidente Lula já atendeu à imposição de seus velhos companheiros.

Portanto, será uma surpresa se o presidente da República decidir enfrentar a pelegada e demitir o ministro do Trabalho.

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ecordar é viver -- Sobre pelegos, pelegada e peleguismo

Em 19.10.2007 publiquei aqui no blog:

"Será o renascimento do peleguismo?

A Câmara dos Deputados aprovou projeto que legaliza a existência das centrais sindicais. Pelo acordo firmado com o governo, as centrais receberiam parte do imposto sindical obrigatório.

Vale a pena lembrar aqui. O imposto sindical é a cobrança de um dia de salário por ano, descontado de todos os trabalhadores formais e autônomos, sindicalizados ou não.

Esta montanha de dinheiro é assim distribuída: 60% para os mais de 7.500 sindicatos; 15% para as federações; 5% para as confederações, e 20% para o Ministério do Trabalho. (isso mesmo!).

Desses 20% do Ministério do Trabalho, o governo decidiu que metade iria para o financiamento das centrais sindicais.

O governo decidiu, mas esqueceu de combinar com o Congresso, inclusive com deputados do próprio partido do presidente da República.

Na madrugada de quinta-feira, a Câmara aprovou uma emenda ao projeto, extinguindo a cobrança obrigatória do imposto sindical.

E com votos do Partido dos Trabalhadores.

Para entender esta encrenca, precisamos recuar até a década de 70, quando surgiu no ABC paulista um novo sindicalismo, bastante diferente do sindicalismo pelego existente até então.

(Parênteses importante para falar sobre o pelego. Palavra bem conhecida dos gaúchos, pelego é uma manta de pele de carneiro colocada entre a montaria e a sela para proteger o lombo do animal. Na década de 50, quando o PTB se apossou do Ministério do Trabalho e passou a controlar os sindicatos operários, “pelego” passou a designar os dirigentes sindicais subservientes ao partido e ao governo, muitas vezes sustentados pelo Ministério do Trabalho, através de empregos públicos e favores de toda espécie. Sua ação se concentrava sobretudo na contenção das reivindicações sindicais, distribuindo em troca algumas benesses recebidas do governo.)

Os novos sindicalistas, liderados por Luiz Inácio da Silva, o Lula, eram contrários à cobrança do imposto sindical, à representação por categoria e à base territorial, entre outros componentes do modelo sindical da época.

O Partido dos Trabalhadores foi fundado por estes sindicalistas, membros das Comunidades Eclesiais de Base (da Igreja Católica) e intelectuais, muitos deles especializados em movimento sindical. Estes intelectuais contribuíram para a formulação do pensamento do PT a respeito do sindicalismo, incorporando todas as bandeiras dos sindicatos do ABC.

Portanto, a luta do PT contra o imposto sindical é uma bandeira histórica do partido, talvez um dos principais fundamentos da própria existência do PT. Por isso, foi com extremo constrangimento que muitos petistas votaram a favor da legalização das centrais sindicais.

No entanto, o fim da cobrança obrigatória do imposto sindical foi apoiado por deputados do PT, e acabou aprovado, por 215 a 161.

Mas os dirigentes das cinco centrais sindicais – CUT, Força Sindical, Nova Central Sindical, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e União Geral dos Trabalhadores (UGT) – reagiram e prometem dar o troco.

Os novos pelegos do sindicalismo brasileiro querem pressionar o Senado e ameaçam panfletar as fotos dos deputados que votaram a favor do fim do imposto sindical obrigatório.

Afinal, eram recursos “carimbados”, provenientes do salário dos trabalhadores. Dinheiro certo, sem precisar fazer o menor esforço.

Legalizar centrais sindicais financiando-as com imposto sindical é retroceder pelo menos 50 anos. É constituir um movimento sindical totalmente atrelado ao Estado, tutelado e sustentado pelo Ministério do Trabalho.

Em vez de centrais sindicais, centrais pelegas.

É a volta da pelegada.

Lúcia Hippólito e pesados louros retroativos a Dilson Funaro, de saudosa memória.

Dizia Lúcia Hippólito aqui

"Políticos elegiam-se prometendo moratória, ou auditoria na dívida externa. Em 1986, o Brasil chegou a declarar moratória, e o ministro da Fazenda, Dilson Funaro, era aplaudido nas ruas."

eu comentei (aliás, agradeço estes estímulos a escrever):

Naquela época eu já vivia deste lado do universo, então como todo outro ser humano, sei que Dilson Funaro não era aplaudido nas ruas por ter declarado a moratória em 1986, simplesmente porque ele não o fez. Naquele ano foi implantado o Plano Cruzado, que basicamente consistia no fim da correção monetária e no congelamento de preços. A moratória foi declarada por José Sarney em 1987, em cadeia nacional de rádio e TV, após o fracasso do plano Cruzado II. Garanto-lhe que então já não havia ministro ou presidente sendo ovacionado pelos "fiscais do Sarney" do ano anterior. A única moratória de alguma relevância decretada em 1986 foi a moratória internacional à caça de baleias, vigente até os nossos dias. Moratória esta, aliás, freqüentemente desrespeitada.


Gostaria de acrescentar que creditar a eleição de qualquer político em eleições majoritárias a propostas de moratória é um revisionismo histórico inconseqüente, zombar da história de escolhas eleitorais de 1989 para cá... em outras palavras, é um escândalo, na acepção mais livre, leve e solta do termo.

Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Trânsito (inaugurando um novo método)

Vejam que me peguei sendo um comentarista de blog muito mais prolífico do que blogueiro... fazendo de um limão uma limonada e tentando reavivar isto aqui, vou começar a postar comentários mais longos que eu fizer nos blogs dos outros.

Comentando post sobre trânsito e rodízio no blog do Luís Nassif

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Ah, o Centro Expandido, esta invenção de especialistas de tráfego imersos em estatísticas e otimizações de grafos...

... acho impossível exigir que o cidadão saiba, a cada instante, se está dentro ou fora desta fronteira "psicológica". Chama o Paulo Maluf! Ele estrelou alguns testes de conhecimento aplicados a candidatos a prefeito nos anos 90 pela Folha de São Paulo. Tenho certeza que existem trajetórias no trânsito que confundiriam um Maluf com GPS, ou um GPS com a voz inconfundível do Maluf (putz... alguém precisa inventar isso!).

Imagine então se você está indo de Pirassununga para Santos, visitar a sua avó, e precisa saber onde é ... como é, o cebolão? Ariranha Melo?

Aí o GPS do Maluf fala: vire à direita na Av. Sua Mãe! Para depois dizer "arrá! peguei você!".

Londres também tem um Centro Expandido, certamente baseado nas mesmas técnicas avançadas. É cobrado um pedágio para quem precisa trafegar pelo tal centro.

A diferença é que o "Nigel" ou a "Margareth" podem confiar na sisnalização vertical (placas) e horizontal (marcas vermelhas no chão) em toda esta fronteira não menos psicológica do que a nossa.

O trânsito de Londres só não é mais escandalosamente horrível porque pode ser comparado ao de São Paulo, o que é injusto, porque não é nem da metade do tamanho.

Dois errados não fazem um certo. Eu preferiria que ambas as medidas, inócuas, fossem abolidas, nem que fosse para poupar dinheiro de placas.

Quarta-feira, 31 de Outubro de 2007

Individualidade e o direito de dispor sobre a vida de outros

O bandido do ônibus 174 foi morto pela polícia.

Se esta é a espécie de justiça que desejam, defensores da "tolerância zero" podem dormir o sono dos justos.

Mas parece que os corolários da lei do cão não lhes aprazem da mesma forma.

Então uma outra lei, uma outra responsabilidade para o Estado, a de prender menores e matar pessoas, certamente irá resolver o problema... não.

O que será que torna a vida nos EUA mais segura?

Seria condenar crianças à pena de morte e prender combatentes de 14 anos em Guantánamo ou seriam estas outras características:

- dar álcool a menor é um crime.

- a grande maioria das escolas públicas dos EUA possuem ônibus escolares gratuitos. Não parar o carro quando um ônibus escolar estiver nas proximidades deixando ou buscando crianças pode dar cadeia.

- Dirigir bêbado dá prisão em flagrante. O motorista é obrigado, na maioria dos estados, a fazer o teste do bafômetro ou admite que está embriagado.

- 85% dos americanos adultos fizeram o ensino médio. O percentual na geração que está hoje na escola é ainda maior.

Que tal estabelecer estas regras acima? É dureza respeitar o limite de velocidade por vezes irreal, e é uma afronta à individualidade fazer o teste do bafômetro?

Transporte escolar gratuito parece muito?

Isso é assistencialismo barato do Estado que não vai resolver nada?

As leis americanas quanto a álcool e trânsito são draconianas e paranóicas?

Isso é "passar a mão na cabeça de bandido?"

Então preste atenção nesta estatística:

ACIDENTES DE TRÂNSITO SÃO A MAIOR CAUSA DE MORTE DE CRIANÇAS NO BRASIL

Mais que qualquer doença ou acidente. O segundo lugar também não é uma causa natural, é o assassinato. Uma super-FEBEM parece mais uma receita para matar mais crianças ainda e satisfazer a velha coceira da antiga mão do chicote do pelourinho.

Terça-feira, 15 de Maio de 2007

Um presidente do povo, respostas.

Uma série de perguntas sobre o "presidente do povo" andou circulando pela internet ultimamente. Aqui estão as minhas respostas.

1.Por que o presidente do povo usa terno Armani?


Ele não usa terno Armani, não ao menos como presidente (é uma outra marca, muito cara, por sinal). Se ele usa terno Armani quando está em São Bernardo do Campo não é problema meu.

2. Por que o presidente do povo pode ter ensino fundamental incompleto e um gari necessita de ensino fundamental completo?

Porque um princípio básico da democracia é que todo cidadão possua os mesmos direitos políticos, mas isto não parece ser um princípio básico das empresas de limpeza urbana.

3. Por que o presidente do povo acumula aposentadoria por invalidez, aposentadoria de dep. federal, pensão vitalícia de "perseguido político", salário de presidente de honra do PT e salário de presidente da república?

Porque a lei permite, tal como permitiu ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acumular aposentadorias. Além disso o salários de perseguido político deve ser uma porcaria, talvez por isso o Lula tenha decidido concorrer à presidência.


4. Por que o presidente do povo é perseguido político, sendo que passou apenas UMA noite no DOPS?

Ele passou um mês preso e perdeu seu emprego por razões puramente políticas. Mas pode ser que ele tenha entrado naquela cabine do programa do Sílvio Santos, no que este perguntou "você quer trocar o seu emprego por um mês na cadeia, o agravamento da saúde e a morte de sua mãe e uma aposentadoria vitalícia" e ele tenha dito "siiim!" (por interferência da atual primeira-dama, Romeu Tuma deixou Lula acompanhar o velório e o enterro da mãe).

5. Por que o presidente do povo comprou um avião da concorrente da Embraer?

Porque a Embraer não faz aviões do tamanho do "Aerolula", mas dizem que aquela propaganda da Embraer com o Zagallo também influiu.

6. Por que o presidente do povo se aposentou por invalidez apenas por ter um dedo a menos e hoje trabalha como presidente do Brasil?

Ele recebe aposentadoria apenas com base na Lei da Anistia de 1979, mas possivelmente não se acostumou com o torno mecânico próprio para pessoas com nove dedos que fizeram para ele.

7. Por que o presidente do povo protege seus amigos comprovadamente corruptos e nunca aconteceu nada com ele?

a) talvez porque os seus amigos não comprovadamente corruptos o protejam.

b) talvez porque ele não proteja os seus amigos corruptos mesmo.

c) talvez porque ele entrou de novo na cabine do Silvio Santos que, desta vez, perguntou "você quer trocar todos os seus amigos corruptos pelos personagens da Santa Ceia, menos o Judas?" e ele tenha bobeado e dito "nãão!".

8. Por que o presidente do povo se vangloria de não ter estudo e ser filho de mãe analfabeta e acha normal ter filhos estudando fora do Brasil?

Porque ele se orgulha de ter chegado onde chegou sob tantas adversidades, isto é lógica básica. Também porque ele sabe que os filhos dele não são assim tão da peste como ele, já que a vida no ABC não prepara um ser humano para os rigores do mundo como a vida de retirante nordestino.


9. Por que o presidente do povo quando do seu mandato de Dep. Federal, não participou da vida parlamentar do Congresso?

Porque ele era da minoria da minoria do congresso, então seria surpreendente que tivesse diversas leis aprovadas. Também porque aquilo lá não era vida (essa eu colei).

10. Por que o partido do presidente do povo tem ligação com a FARC e ninguém comenta isto?

As FARC, todo mundo comenta isto, mas acho que o presidente entrar no horário político com esse papo não iria dar muito voto. "Você quer trocar o perdão de uma dívida milionária da mídia por uma ilação sobre uma remota ligação com as Farc elevada à vigésima potência?".... "siim!".

11. Por que a mulher do presidente do povo não faz absolutamente nada ?

Ela não foi eleita para coisa nenhuma, e não tem obrigação de trabalhar no emprego do marido. Além disso, a mulher do presidente já faz muito de agüentar a peça.

12. Por que o presidente do povo não sofreu "impeachment" como o Collor sofreu?

a) talvez porque ele seja um presidente do povo, e não um presidente da Globo ou do PC Farias.

b) talvez porque ele tenha sido mais hábil em domar a máquina política que queria estraçalhar a sua estrutura de poder para fazer as mesmas coisas.

c) talvez porque, desta vez, quando entrou na cabine do Silvio Santo e este perguntou "quer trocar a presidência da república por um penico e um coador de café" ele tenha dito "nããão"


13. Por que a candidata Heloísa Helena foi expulsa do PT e o José Dirceu (dep.cassado) e Antonio Palocci (indiciado por quebra ilegal de sigilo bancário e outros crimes) não o foram?

Heloísa Helena entrou em confronto direto com o PT, firmou o pé, foi expulsa e fundou outro partido. Dirceu e Palocci são réus, e não condenados. E mais, achar ex-militante comunista hoje é fogo, pra que se livrar dos que já se tem. Não, a Heloísa Helena não é ex-militante, muito pelo contrário.

14. Por que o presidente do povo nunca soube das coisas do partido e do governo dele, MAS SABE DE TUDO SOBRE OS GOVERNOS ANTERIORES ???

a) Porque antes ele tinha tempo de ler o jornal.

b) Porque hoje não é mais conveniente crer no que está no jornal.

c) Porque ele acha que um presidente não pode agir baseando-se em especulações (o que implica que um político oposicionista podia, para ele).


15. Finalmente, a pergunta mais difícil de todas: Por que tantos intelectuais, cientistas, professores universitários, reitores e outros membros da nata do país, continuam apoiando o presidente do povo?

Tá, a reposta para a pergunta mais difícil de todas é 42. Mas eis a resposta para a pergunta acima:

Porque as pessoas são assim mesmo: estranho seria um consenso todo voltado contra o presidente ou em seu favor. O que é importante para a democracia é que este é um presidente do povo. Bom, tem também aquela história de que, se você se acha mais esperto que o presidente da República, você pode se ver no direito de se achar esperto pra caramba.

Terça-feira, 3 de Abril de 2007

Atropelado pela realidade .... ou "CTC: uma novela. Capítulo I, parte 1"

Estava escrevendo uma mini-novela para publicar no blog, mas faltou-me tempo. Publico isto aqui, incompleto e mal-ajambrado como está, como testemunho do clima de aproveitamento barato da tragédia da Gol que parecia tomar a imprensa e este ou aquele blog.

Este acidente tornou a continuidade do projeto tristemente desnecessária.


CTC é o acrônimo para o Comando do Terceiro Colhão das forças armadas do Brasil. Esta é uma organização militar e civil de "indivíduos que respeitam a liberdade individual, a livre iniciativa e o livre mercado, bem como a boa ordem, as pessoas de bem, a decência, Deus, a família e a propriedade", que não possui vínculo algum com o Estado Maior das Forças Armadas. Diz-se até que nada que se assemelhe com Estado lhes apeteça tanto, dada a profundidade de seu compromisso com o ideário liberal e libertário.

O capítulo I não trata da primeira atuação do grupo ou de sua formação - esta perde-se nos confins da história - mas da primeira aventura do CTC que se tem notícia na história recente, aventura esta fundamental na formação do caráter atual do grupo.

O leitor há de notar que a ação de "CTC..." se passa ligeiramente adiante na história, a se confiar na data de postagens deste blog, no qual pretendo relatar as diversas aventuras do grupo enquanto se desenrolam.

Sem mais delongas, vamos ao capítulo. Os nomes foram alterados para a proteção de eventuais inocentes.

CTC
uma novela

Capítulo I
Tempestade de alumínio

Já eram 10 horas da noite e a fila de embarque parecia imóvel. Daquele grupo de 5 pessoas, os dois mais velhos entreolhavam-se apreensivos, incertos sobre o sucesso da missão a eles confiada, incertos se os outros 3, ao saberem do teor das ordens dadas, iriam dar cabo daquele "fardo acerbo", que assim lhes foi descrito pelo comandante Neves de Alencastro. Fardo, com efeito, acerbo, o próprio Neves de Alencastro repetiu. Acerbo, de fato, tamanho fardo, em uma variação elegante continuou Neves de Alencastro, antes mesmo que os dois tivessem a chance de concordar.

Sem mais palavra, Neves de Alencastro emendou, que vocês saiam e encontrem-se com os outros três "operativos" que tomarão parte desta missão.

- Fardo acerbo. Disse Ronaldo à saída da sala.

- Sim, deveras. Confirmou Duda, enquanto trocavam olhares firmes, os rostos voltados para o chão, encarando-se apenas com os olhos.

Os outros três operativos aguardavam, sem saber, a saída de Ronaldo e Duda da sala do comandante. Haviam sido apenas informados que agentes, o nome dado aos operativos "sênior", lhes iriam auxiliar em sua primeira aventura pelo CTC.

- Muito boa tarde, meninos. Eu sou o agente Duda Armingal e este é o agente Ronaldo Kannemann. Vocês nos irão acompanhar em nossa próxima missão.

- Beleza, caralho, já tava na hora, porra! Pra onde é que a gente vai!? Exaltado perguntou Marquinhos Eleno, um dos "meninos".

- Se o Sr. deseja que seus préstimos sejam um dia apreciados pelo alto comando do CTC, sugiro-lhe que reveja seu vocabulário. Consta no código de conduta do Comando que a comunicação há de dar-se pelo português mais castiço que estiver à mão. Termos de baixo calão reservam-se apenas ao acrônimo de nossa organização e a comunicações em código.

- Minhas mais sinceras desculpas. Por favor compreenda que foi coisa do momento e da qual muito me arrependo. Estarei futuramente prestando mais atenção.

- Operativo, qual o seu nome?

- Hein?

- Operativo: nome, número de inscrição e data de incorporação já!

- Meu nome é Marcos Eleno - deixa eu ver no papel aqui - meu número de inscrição é 108072360-3, e minha data de incorporação é 14 de abril de 2(...).

- Kannemann, por favor.

- Marcos, pode repetir, por favor? Ronaldo se dirigia a Marcos com alguma timidez.

- Marcos Eleno, número CTC 108072360-3, data de incorporação 14 de abril de 2(...).

Ronaldo Kannemann anotou os dados e o que parecia ser um relatório em seu PDA. Falava então com mais desenvoltura, sem olhar para Eleno, mudando de expressão facial e entonação como se discursasse para a tela reflexiva do computador de bolso, sobre a qual escrevia com uma caneta de plástico.

- Entenda que o código de conduta do CTC é a nossa tábua de salvação moral. Ele é propositadamente extenso e detalhista, pois nele estão descritos procedimentos que salvaguardam a garantia de nossos checks and balances no trato com membros, oponentes e civis, além de conter a plataforma pela qual

incompleto, agora sem razão de existir.





Sexta-feira, 23 de Março de 2007

A praga reincidente da informação retocada.

Ouve-se de um tempo em que as fotos do camarada Lênin eram continuamente retocadas, pois a cada passo em falso de um dos outros camaradas da foto, o governo soviético empreendia uma laboriosa operação de desaparecimento.

Desconheço se o retoque da foto era o primeiro ou o último passo do processo, ou se isto variava de acordo com a situação (vendo a União Soviética jogar futebol tem-se a impressão de que nada por lá variava). Sei, porém, que os registros iam se tornando mais solitários e mais parecidos com as propagandas do regime.

Eu me pergunto se estas idéias vinham diretamente de Tio Stálin ou se seus seguidores as implementavam de bom grado, adivinhando as querências do líder. Me pergunto, também, se Stálin sabia dos retoques, e ainda se alguém apagou o premiê ou um de seus apoiadores alguma vez, fosse na foto ou na metáfora bem conhecida.

Tenho certeza, no entanto, de que Stálin sentia-se confortável com o procedimento.

O papa Bento XVI disse que o segundo casamento era uma 'plaga' em latim, 'piaga' em italiano, 'plaie' em francês, 'Plage'em alemão, 'scourge' em inglês (claro que eu colei do site do Vaticano). No português do Brasil, ele disse uma superposição de 'praga' com 'chaga', a gosto do freguês.

Quando pareceu que o papa havia igualado o segundo casamento a uma nuvem de gafanhotos a assolar a Terra, retoques na retórica não tardaram a surgir. A questão dispendeu horas de redação e gigabytes de transações pela internet.

Chaga inspira pena e praga, recriminação. As duas palavras têm a mesma origem, contudo, parafraseando outro blog, pela figura de linguagem "metáfora ou metonímia".

Com o retoque, a condenação do papa não deixou de ser dura, mas a praga, a recriminação a todos os nubentes de segunda época, tentou-se tirá-la da foto. Cá entre nós, creio que ela continue lá, inteirinha, em todas as suas chagas alastrantes independentemente do termo.

Paulo Maluf dizia 'eu não assinei', 'eu não estava lá', 'não era eu'. Lula dizia 'eu não sabia', 'eu fui traído'.

Bento XVI nada disse, nem mesmo retirou palavras ou desculpou-se como no caso do texto que condenava muçulmanos (texto este em que o principal, a defesa do papel da racionalidade no cristianismo, passou em branco).

Mas Bento XVI sabia?

Ele se sente confortável? Certamente, ainda que ignore a celeuma por completo.

Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

Breve aqui, de novo

Posts em gestação, blogueiro precisando trabalhar no ganha-pão de sempre.