quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
sábado, 10 de fevereiro de 2007
O Mano White... contrariando as estatísticas (desfeita e piparote II)
Não sabe nada, também, de cultura, de ciências humanas em geral, também compreensível.
Post azedo este aqui. Resposta a isto aqui
Eu sou apenas um rapaz latino-americano
apoiado por mais de cinüenta mil manos
efeito colateral do que o seu sistema fez
Racionais, capítulo 4, versículo 3.
A torrente de opiniões desabridas demonstram uma ignorância profunda não apenas de rap, mas dos filósofos cujos nomes jogou no texto e até do poema de Drummond usado na citação, o que torna, aliás, evidente por que sua crítica é tão calcada em preconceito.
É prática comum dos blogs de self-made-sabichões desqualificar quem lhes vêm à mente um parágrafo de cada vez. É claro que isto faz parte do intento de quebrar espuriamente a unidade do texto que se analisa e é um artefato útil quando se não tem intenção alguma de analisar o que se está analisando, mas apenas escrever frases de efeito, jogar para a platéia. Também é um expediente útil àqueles que não desejam ou são incapazes de dar unidade a seu texto, pra começar.
O resultado deste ataque ao caráter parágrafo a parágrafo é, por sua vez, melhor analisado da mesma forma, sim, parágrafo a parágrafo também. Esta espécie de sucedâneo de refutação termina por resultar em um texto este sim quebrado e sem unidade, e é com este parágrafo que deveria começar qualquer refutação de uma análise parágrafo a parágrafo, adicionando-se a ressalva que a refutação, ainda que seja também ela uma análise desta natureza, empenhará os melhores esforços para extrair continuidade de uma origem e uma técnica destarte defeituosas.
Parágrafo a parágrafo, aqui vai:
A história da música X a história.
Bem, trata-se de do recurso a uma falácia lógica freqüentemente usado pelo autor, abaixo tratada com mais atenção, e de um certo preconceito na interpretação do texto que vou exemplificar fazendo a mesma coisa. Lá pelas tantas, o autor diz "36 anos. Taí uma coisa que nunca tinha imaginado, um rapper coroa". O autor demonstra conhecimento da expectativa de vida dos habitantes da periferia e com ela faz uma brincadeira de péssimo gosto, demonstrando como nutre desejos assassinos com relação a eles e se ri do destino daqueles nas mãos do PCC que tanto o incomoda em outras partes da cidade.
"Salve" do PCC versus o "Salve" do Mano Brown.
Novamente, um preconceito aflorado em uma identificação tão espúria quanto a de Barack Obama e terroristas muçulmanos. Certamente é o mesmo salve, vindo de pessoas que moram na mesma região, vítimas e perpetradores, proximidade versus semelhança, ou um propositado recurso a outra espécie de raciocínio falacioso ou uma demonstração de como o autor é incapaz de diferenciar indivíduos afora seu pronunciado preconceito, e claramente deseja todos mortos ou encarcedados.
"Logo, você conclui que Mano Brown, na escala dos ungidos ou dos profetas, é superior a Cristo."
Aqui a falácia lógica em toda a sua extensão. "Crer no poder redentor do sangue de Cristo" é uma atividade de natureza e implicações muito diversas às de assistir a um DVD. Para resolver a falácia, pode concluir-se deste comentário que o autor está a impelir um julgamento de natureza religiosa contra o rap, uma postura comum, no entanto superada e tida como altamente preconceituosa.
"o coitadinho tentou mudar de vida" etc...
Sim, na base da inferência irresponsável dá para apostar em qualquer coisa, inclusive que o autor está apenas traficando uma posição ideológica e uma propaganda política em uma análise sem pés nem cabeça, como em seu artigo da Bravo sobre Mário Faustino (falecido nos anos 60), datado de 2002, em que consegue citar o PT. É verdade que há público para este tipo de pantomima.
"Pensador do mundo musical"
O autor obviamente jogou nomes de filósofos aqui, fez umas embaixadinhas para a platéia. Um dos três talvez concordasse com o seu texto. Kant, certamente, não, e todos corariam ao ver a falácia lógica básica do parágrafo anterior. Schopenhauer a igualaria, em categoria, não em competência ou extensão, à de Hegel.
Ah, sim, Drummond...
... eis o poema:
Infância
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
Particularmente as duas últimas estrofes, e cá estão elas novamente
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
Desaprovam a aversão do autor pelo vocabulário, histórias, talvez pela própria existência dos habitantes da periferia de São Paulo.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Recente intercâmbio com um leitor
Os comentários são a respeito de um post chamado "Hayek como papel higiênico, I"
Polinização inconseqüente.
Vale a pena lutar por isso? O que ele tentou expressar talvez fosse "vale a pena lutar contra o aquecimento global?"
Que o digam todos os que ignoraram o alerta dado ainda nos anos 70 sobre o efeito dos halocarbonos na camada de ozônio.
A boa ciência apenas é boa quando temos Marshall justificado por Jevons justificado pelas equações diferenciais estocásticas e os modelos de otimização da boa economia neoclássica?
A "verdade" científica é apenas a que nos interessa? Isto sim é totalitarismo.
Vale a pena lutar contra o totalitarismo? Não, se você está do lado certo do cassetete, ao que parece.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
13
13 posts neste blog em 13 meses...
... 13% de juros ao ano de alegria pós-fixada e devidamente indexada...
... 13 dias de busca na cratera em São Paulo terminados...
... hoje é dia 26, "duas veis treze" tem treze letras...
a culpa é do PT, então?
Similaridade e conseqüência se confundem propositadamente em autores astutos, e não excluamos os grandes filósofos e cientistas. Na justaposição você enxerga o julgamento destes autores e, por vezes, o de sua própria alma.
A Folha, sobre Lula em Davos:
Vim em 2003 [logo após a posse] mostrar como era possível criar uma política consistente para reduzir a miséria no Brasil", gabou-se.
terça-feira, 16 de janeiro de 2007
Uma cratera
Nesta hora de aperto, nada vale o que eu ou o ninguém mais pensamos, achamos deixamos de achar gostaríamos de querer achar sobre qualquer coisa. Nesta hora uma jabuticaba nesta hora é só uma fruta redonda que vive a cair do pé e suja a roupa. Nesta hora o que sobra é só uma cratera.
terça-feira, 9 de janeiro de 2007
Hayek como papel higiênico, I.
É necessário dirigir uma pergunta aos seguintes grupos, hoje tão liberais, verdedairos libertários no século XXI:
a) perpetradores e simpatizantes do golpe de 1964 (ao contrário de Stalin, estão bem e vivos) ,
b) criadores do modelo do milagre brasileiro, do ora tão amaldiçoado Estado investidor,
c) apoiadores da censura, da tradição, família e propriedade e bons costumes de gente de bem. Promotores silenciosos obsequiosos ou beligerantes de balcão de botequim dos assassinatos políticos em nome do Estado.
d) outros que tenham propalado a moda do momento antes e depois: antes, golpe "governar é construir estradas" tortura empréstimos internacionais, hoje, democracria civilizada pois tudo que é inglês é bom e sábio e como é que puderam votar nesse cara? Banco Central do Brasil empréstimos internacionais.
A pergunta é "quando isto também der errado, vocês vão apoiar o quê?"
É muito bonito citar Hayek, "why the worst get on top", amaldiçoando altitonante do olimpo da moral absoluta todo esforço contaminado pela "síndrome da vontade política" como um congraçamento com Stálin, Mao e todos os outros artífices do pecado original, da semente do presumível engodo a que todos os que levantam a cabeça e perguntam "tem outro jeito?" estariam fadados ou então maliciosamente embarcaram, na inescapável busca individualista pela máxima utilidade, tal qual um escorpião sobre um elefante atravessando o rio. E isto se for para considerar que a avaliação de Hayek é desprovida de contradições
Mas vejam que usualmente no Brasil nem se chega mesmo a citar Hayek, Adam Smith ou, sei lá, James Naismith com a sinceridade de um campo de abóboras. A coisa pára bem antes disso, antes de que se possa apontar uma falácia na fundamentação do típico raciocínio pseudoliberal do início do século no Brasil. Os próprios Hayek e von Mises corariam ao ver como as coisas funcionam por aqui. Ficariam mais encabulados do que se fossem escalados como extras do filme "Um drinque no inferno" e assistissem à apresentação de Selma Hayek lá pela metade do filme. Reproduzindo o que poderiam dizer os próprios, os liberais daqui não gorgeiam como os de lá.
Mais do que uma desculpa, ser liberal é então uma boa razão para continuar igualzinho? Uma desculpa confortável para achar que as coisas como estão estão boas, a não ser quando a gente não gosta de como elas são?
sexta-feira, 17 de março de 2006
Checks and balances
"(...) todos os seus arquivos gravados no disco virtual, no blog, ou no álbum de fotos da AOL serão apagados.
A sua data de faturamento na AOL será mantida (...)"
Ver http://www.aol.com.br/ até 17/03/2006.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2006
Carta aberta a Fernando Gabeira, morador de Ipanema
Gabeira a tua cara, tuas melenas prateadas pertencem a Ipanema, mas o que te impede de olhar para o morro admirado?
Gabeira, se Ipanema é tua cara e tu é bonito, teu morro ali do lado é bonito também, e a cara mais sofredora que eu já vi foi a do Jorge Bornhausen, olhos escurecidos, mal-humorado. No que me consta, o cara é bom de grana.
Assim, sempre a cara em Ipanema e sempre os fundilhos em Queimados tão perfeitamente se moldariam ao teu artigo-post, se a pobreza da metáfora dos fundilhos queimados não constituísse derrogatória derisão.
Todo mundo olha o morro e vê o que, o que? Fundilhos, o puíto do mundo.
Criaram até um nome bonito, favelização (aí pode perguntar onde está a condominização como contraponto?). Querem acabar com a Mangueira e levar todo mundo pra Queimados, porque pobre no centro só presta preso ou limpando privada.
Estamos a ser presos ao radicalismos. Não, a concordância é esta mesma. O problema é a palavra radicalismos. Serve como fulanização (ih...) generalizada de tudo aquilo que antes era contra o general e agora só não é de bom gosto nos salões dos banqueiros e nas ante-salas vips dos showzinhos pop patrocinados por empresas de, o que mais, crédito.
Logo logo teremos o favelizações e a sua reação, próximo passo de periferização (argh) da vida urbana e condominização (eca!) da vida ... hm ... da vida gente bem.
E tu não acredita? Se não acredita, taí uma regra pétrea, um aforismo muito eficiente: na imprensa, substantivo abstrato no plural é mentira.
Se eu perdi a cabeça até agora, foi para dizer só isto: o seu artigo implica que a cara da zona sul é bonita (Lindbergh, o Sr.) e a da periferia é feia (Lula), e
Ipanema recebe a todas, mas só as de lá são bonitas. Isto pode até caber em uma letra do Menescal, mas eu esperava mais do Sr.
(Artigo original de Gabeira: http://www.gabeira.com.br/blog/blog.asp?id=1707 )
quinta-feira, 26 de janeiro de 2006
ACM 2006
segunda-feira, 23 de janeiro de 2006
Finge que funciona
Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três . . . trinta e três . . . trinta e três . . .
— Respire.
............................................................................
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Manuel Bandeira"
São Paulo, 20/01/2006,
"Finge que funciona... "
Em um stop staccato, estupefatos entreolham-se , estranham-se. Um estrago, um estigma . Esfigmanômetros fracassados esfriaram o ânimo e esfregaram a feroz fealdade às fuças freadas em afrita fruição...
"Finge que funciona..."
Doze por oito, esfigmanômetro é o nome técnico do aparelhinho de medir pressão.
Nenhum deles, nenhum funcionou com o antigo ministro da saúde porque eram novos.
Novinhos em folha, lacrados, e assim tão estranhos como a palavra esfigmanômetro.
"Finge que funciona... "
Aparelhinos de medir pressão, vários deles, todos novos, sem funcionar porque eram novos.
Mas como funcionaram bem, eram novos e falharam em produzir vasos pulsantes no prefeito.
Pulsação outra se apresentou, possivelmente acompahada pelo pulsar previsto se o aparelho se preenchesse por ar ao ser premido e se apertasse em torno do braço do prefeito. Não apenas do prefeito, mas de todos os presentes a pulsação se apoderou.
"Finge que funciona... doze por oito"
E o medidor de pressão funcionou.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2006
O Haiti é uma festa
...para alguém deve ser.
Blog do Josias de Souza, post de 16/01/2006, às 02h46
"O custo da missão Haiti
Levantamento feito pela Associação Contas Abertas a pedido do JB revela: a missão do Exército brasileiro no Haiti já custou ao erário R$ 266,8 milhões nos anos de 2004 e 2005. Não é pouca coisa. Bem ao contrário. A cifra é 5,8 vezes maior do que tudo o que o governo investiu em segurança pública no conflagrado Estado do Rio de Janeiro no mesmo período: R$ 46 milhões"
O post segue questionando a permanência do Brasil na missão da ONU no país. Fiz a seguitne pergunta no blog do jornalista, composta de três partes:
1 - Ele sugere que se diminua o orçamento do exército brasileiro para redirecionar recursos para a segurança pública?
2 - O post sugeriria, ainda, mais uma tentativa de ocupação militar dos morros cariocas? Isto foi tentado nos anos 90, depois de intenso clamor midiático, catalizado pela tentativa de seqüestro de Burle Marx. Neste episódio, a figura triste do paisagista abatido e atormentado apareceu no Jornal Nacional, pedindo pelo exértico. A experiência não sei se foi muito exitosa, pois não se repetiu em administrações locais e federais subseqüentes.
3 - A ONU cobre alguma parte dos custos envolvidos na missão brasileira no Haiti?
sexta-feira, 13 de janeiro de 2006
Arnaldo Jabor, que Deus lhe conceda seus desejos
Arnaldo Jabor, no Estadão desabafou, mas calculadamente, enciclopédica, dicionárica e efusiva verborragia, que terminava assim:
"que a peste negra vos devore a alma, políticos canalhas, que vossos cabelos com brilhantina vos cubram de uma gosma repulsiva, que vossas gravatas bregas vos enforquem, que os arcanjos de 2006 vos exterminem para sempre!"
Mas que deveria terminar assim:
"Em nossas prisões já existem muitos outros corruptos desta extração. Se não os matarmos, cada um deles há de se tornar um assassino! Humanos é que jamais serão!"
"Não permitamos que corruptores infiéis continuem a assolar a terra, para o nosso sofrimento. Pois se o corrupto é morto, e isto evita que ele perpetre mais iniqüidades, sua morte será uma bênção"
As frases acima são atribuídas ao aiatolá Khomeini*.
O texto do cineasta é uma arma química, uma mistura que em sua defesa da política econômica que tenciona atacar chega a dar pena.
É uma intempestividade ensaiada e previsível de quem há pouco dizia que a tal a política real era feita no Brasil, com as mesmas gomalinas, brilhantinas, verminose e canastrice de hoje, mas milagrosamente boa, necessária, "pós-moderna".
Chequem o excerto abaixo, do mesmo Jabor, em forma de carta aberta ao então Presidente FHC (Folha de São Paulo 8/12/1998). A parte mais saborosa, o momento mágico de patética identificação com um o aclamado grande ideal político pseudoliberal dos anos 90, é a dos "sábios ingleses".
'Democracia é vivida no Brasil como "zona". Serve para condenar homens de bem sem provas e para inocentar ladrões com provas. Vosso ilustrado amor à democracia trai um disfarçado desejo de fracassar em nome dela, para um dia dizer, gloriosamente deprimido: "Tentei tudo dentro da democracia... Mas não deixaram!".
Vossa excelência já mostrou que a paciência é uma virtude revolucionária. Com todo o respeito, já sabemos que o saco de vossa excelência é de ouro e diamantes. Mas agora o senhor está sendo encurralado por seus próprios aliados, como um garoto de colégio que é "pele" da turma.
Só há uma saída: reagir.Reaja, presidente, não adianta sensatez apenas. Exemplo: no episódio das fitas e grampos, vossa excelência podia ter ido à TV denunciar o crime, não aceitar passivamente a demissão de alguns dos seus melhores quadros. Está na hora de perder a cabeça, presidente.
Seu mais hábil ato político foi o risco de, antes das eleições, declarar ao povo a seriedade da situação. O povo leu bem sua sinceridade. O analfabeto sabe ler.
O Congresso está exercitando os músculos no doce esporte de traí-lo. Se perderem o medo, o senhor está perdido. O senhor diz que vai punir os infiéis, cortando-lhes as "colheres de chá", os pequenos favores, o "pork barrel", como dizem os sábios ingleses.Mas eis o dilema: como construir outra base de apoio, negando o "porco" aos deputados e senadores? Não faça ameaças, cumpra-as primeiro.
Está chegando a hora do medo, presidente. Do Collor, eles tinham medo até de levar porrada. O Itamar nos ameaçava com sua ranhetice: "Se me provocarem, faço uma bobagem!...". Está na hora de o senhor provocar medo. Falando em termos sociológicos, um pouco mais de Hobbes e menos Locke.Depois da morte de Serjão, o ACM é seu único homem mau. O senhor conta muito com o ACM para defendê-lo, como o menino que depende do irmão mais velho nas brigas de rua.
Está na hora de partir para a porrada sozinho. Inclusive, porque um dia o ACM vai ter de largá-lo para cuidar de 2002. Seja menos pós-moderno. Seja mais modernista, mais visionário. Vossa excelência precisa de uma ideologia para poder viver.'
O texto de Jabor referenciado no começo do post está em:
http://www.ternuma.com.br/ajabor057.htm
* Ditador, antigo chefe religioso e de Estado do Irã, líder da chamada revolução islâmica no país, morto em 1989, e durante anos inimigo público número 1 dos EUA.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2006
Desfeita e piparote I
SOCIALISMO: Você tem duas vacas, o governo toma uma e dá a outra para o seu vizinho.
COMUNISMO: Você tem duas vacas, o governo toma as duas e te dá um pouco de leite.
FASCISMO: Você tem duas vacas, o governo toma as duas e vende o leite para você.
NAZISMO: Você tem duas vacas, o governo toma as duas e te mata.ANARQUISMO: Você tem duas vacas, mata as duas e faz um belo churrasco
CAPITALISMO: Você tem duas vacas, vende uma, compra um touro e o governo toma os bezerros como imposto de renda na fonte.
LULLOCRACIA: Você tem duas vacas, o governo toma as duas, mata uma e joga o leite da outra fora.
PTCRACIA: Você tem duas vacas, vende as duas para o governo, muda para a cidade e consegue um emprego público.(...)
CHAVISMO: Você tem duas vacas e não entende por que elas não gostam de petróleo e canastrice.
CASTRISMO: Você tem duas vacas, uma morre afogada e a outra, no paredón.
DIRCEUZISMO: Você tem duas vacas, uma vai pro brejo e a outra fica mugindo "Eu repilo, eu repilo!".
STEDILECRACIA: Você não tem mas rouba vacas e bois premiados e os mata para fazer churrasco e mostrar quão primitivo é seu ódio ao capital (isso, além de fato verdadeiro, é constante, mas a imprensa omite. Já aconteceu até na Embrapa).
PIPAROTE:
REACIONARISMO TIPICO DE ASSINANTES DE VEJA QUE A USAM PARA OUTRA COISA QUE NAO PAPEL HIGIENICO DO PAPAGAIO: você tem duas vacas, uma é a avó do ***** ***inho, e outra a mãe do B*** ***ICa. Os bezerros passam a chamar a mãe de todo mundo de vaca, para demonstrar o seu ponto que todo mundo é igual ao seu gado. De repente, o avô do bezerro ****inho morre e o Bezerro ***Ica volta da Pensilvânia. O bezerro ***inho e seu amico ***Ica resolvem que são intelectuais radicais, embora católicos da Opus Deu, logo Adam Smith, outro radical incompreendido deveria entrar para o cânone do panteão da capelinha da Fazenda da Fazenda. Para isso, instauram um comitê revolucionário a cargo do porquinho snowball na Fazenda da Fazenda. Snowball é reverenciado como um gênio das finanças, pois a fazenda vive na mais absoluta bonança. Em sua sucessão, Snowball é alçado à condição de semideus, sendo escolhido um snowball-clone para salvar a possibilidade de um humano tornar-se o comandante supremo. Snowball 2 taca fogo nas plantações da fazenda, que entra em falência duas vezes. Boxer, o marido da egüinha pocotó morre de fome e então há um alerta. Snowball 3 não conseque ser o novo capataz, dizem que é porque era careca e mal-encarado. Novamente um humano é o administrador da fazenda. As vacas do seu curral urram de dor, por terem parido tamanhos cornos, pois os bezerrinhos agora estão defecando na porta da sede da fazenda e dizendo que foi o capataz que fez. Aliás, segundo eles, todo o estrume que já passou por aquela fazenda nem se compara com a b... fedida deste capataz escroto e maneta de uma figa. Estão gestando Snowball 4, mas ele insiste em não ser parido ou clonado. Uma hora destas vai... as vaquinhas ficam aliviadas, mas os bezerros choram suas mágoas e defecam continuamente... ah... essa bezerrada... sempre bezerrando, bezerrando, torcendo para que finalmente sejam liderados por um porco.
quarta-feira, 30 de novembro de 2005
Solução jabuticaba
O banquete está servido.
Cantam hoje no Brasil com júbilo a vitória, no ano 106 de nosso senhor Hayek, de um monturo de baboseiras que ganha a alcunha de liberal e, a bem da verdade, liberal do estilo inglês, como uma espécie de salvo-conduto guarda-chuva, uma justificativa asterisco para um tenebroso conjunto de retroarquiescravagistas e antediluvianos ideai... não, bostas, isto sim.
Uma desculpa para discriminação racial.
Uma desculpa para ignorância e desprezo por toda liberdade que não se encaixe em leis pretensamente naturais de rendimentos decrescentes e cada macaco no seu galho.
Um pretexto para instilar o espírito das leis nos espíritos jovens e cautelosos, não estas daí, mas um conjunto inaudito e ideal de leis que acabem de vez com essa tal de constituição mas todos acreditam no futuro da nação que país é este e e e e.
Um jeito de ser e confortar-se, à luz de velas, com os 398 volumes da história da ditadura e suspirar de emoção como se se lesse a lanterna na popa dos anos 90, já empolgado com a redescoberta do grande heroísmo da segunda guerra mundial, onde teríamos acabado com todo o mal com a ajuda de comunistas.
A desculpa para chamar todo mundo de comunista.... opa! peraí, oooooopa!!!! Arre égua!!!
O muro de Berlim caiu em 1989
A culpa não é minha. Quando Stalin morreu, eu não tinha nem nascido. Para todos efeitos, eu poderia até ser a reencarnação do Stalin.... diacho, a Luana Piovani também poderia ser a reencarnação do Stalin.
OK, vamos continuar.
Ah... e como é que eu iria me esquecer: temos um substitituto para a saúva: a pequena, bela, saborosa, singela jabuticaba.
"A jabuticaba é um inferno, vamos acabar com a jabuticaba!!!!"
Vamos nos espelhar nos fiordes noruegueses, na city londrina, na migração do salmão e no "ticket" presidencial iminente para criar uma solução para o país e nossos fluidos corpóreos que prescinda de jabuticabas.
É aqui, meu caros que eu entro: todo este sonho, esta nova utopia da liberdade individual apenas para exercer o direito de ser ranheta, é matematicamente inconsistente.
O universo conta com a existência de jabuticabas. Pode-se comer, pegar, cheirar, escorregar em uma jabuticaba. Árvores carregadas de jabuticabas tomam o nosso planeta e se reproduzem sem cessar, para o bem da existência de caipirinhas exóticas no melhor restaurante japonês do mundo, que fica aqui pertinho.
Assim, a teoria que prescindir da jabuticaba é incompleta e, além de tudo anacrônica.
Olhe para o mundo agora com outros olhos. Onde estiver a faltar jabuticabas, está em curso uma farsa, tramita o frêmito de uma pretensão ansiosa de açambarcar a materialidade e deixar os outros de lado: você, a jabuticaba e eu, traveste-se de elegia da liberdade a sinédoque de um eu para o mundo.
Salve a jabuticaba!
Nosso farol, nossa lanterna na proa na busca por uma verdade um pouquinho maior, visto que também a verdade suprema é uma inconsistência matemática.
Contem com as jabuticabas que o pé dá.

Caro Jaboticabo,
Por que essa generalização? Por que afirmar que os conservadores que apoiaram o Golpe de 64 são os liberais de hoje?
Cheguei ao seu blog a partir das suas intervenções no Blog do Rodrigo Constantino, algumas boas, outras um tanto extremistas.
Eu diria que quase a totalidade das pessoas que escreveram comentários no post que falava da maioridade aos 16 anos nem era nascida em 1964, como afirmar que esses são os caudatários daquilo?
Ser liberal não é dar as costas aos pobres e sim afirmar (palavras minhas) que um governo como o nosso não só não serve aos pobres, como é o principal responsável pela concentração de renda, além de só servir a umas certas aristocracias políticas (à direita e à esquerda), que vivem do rent-seeking.
Hoje cobra-se impostos de França e temos serviços de Somália. Hoje fala-se em neo-liberalismo, mas países como a França ou a Suécia são mais liberais que o Brasil.
A única ajuda que o governo dá aos pobres é o Bolsa-Família (de eficácia duvidosa). Todo o resto ele não dá a ninguém, exceto à própria máquina.
Não temos educação, mas nós (falo da infeliz classe média)pagamos por ela (duas vezes), não temos saúde, mas também pagamos por ela, não temos segurança, mas também pagamos por ela (às vezes com a própria vida).
Todos os governos no Brasil (digo novamente, tanto à direita como à esquerda) sempre gastaram muito mal os impostos arrecadados. Sempre se encastelaram com os seus apaniguados e foram eles que comeram o nosso dinheiro. Hoje gasta-se mais com publicidade que com segurança ou saneamento ou habitação, isso está correto? Hoje o Governo Federal é o maior anunciante de mídia do Brasil, e se não me engano, em segundo e terceiro estão a Petrobras e o Banco do Brasil, e só em quarto estão empresas como a AMBEV, Coca-Cola, Unilever ou Procter & Gamble. Que produto é esse que o governo vende? Eu sei que eu pago, mas nunca vi o produto.
Segundo a BBC Brasil, nos EUA, uma país mais rico e de maior população que o Brasil, o governo federal dispõe apenas de 5 mil cargos de livre nomeação, enquanto que aqui 30 mil.
Se o governo se retirasse de atividades como a bancária ou a petrolífera e com esse dinheiro investisse em habitação, saneamento, saúde e educação, tenho certeza que estaríamos melhores.
Tenho certeza também que se abolisse o IPVA, o IPI e a CIDE e privatizassem as estradas federais e estaduais, teríamos um aumento percentual da economia pelo aumento na venda de carros e mais dinheiro na mão do consumidor (calculei que o brasileiro gasta em média 3 mil reais com IPVA, CIDE e reparos dos autos) e nunca se gastaria isso em pedágios, com a frequencia com que se viaja hoje.
Liberalismo é isso. É indignar-se por pagar impostos e não ver resultando (nem para o próximo, nem para mim). É indignar-se por ter posses e ser chamado de porco burguês, mesmo que as posses tenham sido conseguidas de forma legal, honesta e legítima. É indignar-se ao ver um monte de vagabundos, que na chegada de um novo governo, agarram-se às suas nomeações como um carrapato a um cachorro. É ver um José Dirceu que nunca faz nada nessa vida exceto vagabundagem político-estudantil viajando de jatinho, se auto-intitulando consultor de empresas, e dizendo que é do povo, que trabalha para o povo, ou ver um Luiz Gushiken (um reles bancário semi-analfabeto) tomando vinho de R$ 2500 a garrafa e fumanfo charutos cubanos. Essas cigarras sociais nunca souberam o que é ser formiga, por isso comem sardinha e arrotam caviar!
Isso é ser liberal!
Reginaldo Almeida
I doubt that good economic writing can be devoid of humor. This is not because it is the task of the economist to entertain or amuse. Nothing could be more abhorrent to the Calvinist gloom which characterizes all scientific attitudes. But humor is an index of a man’s ability to detach himself from his subject and such detachment is of considerable scientific utility. In considering economic behavior, humor is especially important for, needless to say, much of that behavior is infinitely ridiculous
John Kenneth Galbraith
Caro Reginaldo,
Este blog aqui e os comentários que fiz lá e em outros blogs têm a intenção de colocar uns pontos de interrogação em alguns mantras repetidos à exaustão e creditados ao advento da nova e grande teoria libertadora do liberalismo econômico, atrelada à globalização.
E já pensou como um mantra com um ponto de interrogação pode ser uma ferramenta filosófica muito mais eficaz?
Em vez de repetir-se infindamente, como que em um transe
"todo monopólio é injusto, o monopólio estatal é mais injusto ainda"
se instilasse uma dúvida aristotélica pela repetição de
"todo monopólio é injusto? O monopólio estatal é mais injusto ainda?"
ao menos geraríamos respostas mais satisfatórias à pergunta que hoje nem é feita.
A intenção deste blog é, também, fazer isto com alguma graça.
E tudo isto para explicar o porquê de ser "extremista".
(Repórter)
'What do you think of Western Civilization?'
(Mahatma Gandhi)
'I think it would be a good idea!'
Em uma sociedade que se crê caudatária de Grécia e Roma, é natural que se encontrem aqui e ali saudosos de um golpe que ocorreu há menos de meio século atrás, como também é natural que se encontrem comunistas, peronistas e vascaínos andando pelas nossas ruas.
E existe um teste básico para verificar esta simpatia pela democracia "por partes" (basicamente, só a parte que interessa ao tal simpatizante): em 1964, o Brasil deveria passar pela presidência de João Goulart e derrotá-lo na próxima eleição, se fosse o caso? O golpe e os 21 anos de ditadura não foram muito piores? As respostas estão na imprensa e em livros publicados nos últimos poucos anos e, na opinião deste jabuticaba aqui, não são alentadoras.
Por trás de toda esta recém-descoberta paixão humanista pela individualidade e pela economia neoclássica parece haver toda uma agenda que nada tem de liberal, e eu sempre deveria escrever isto em um parágrafo só para ela:
o bom e velho conservadorismo brasileiro.
Pena de morte, prisão de menores, restrições de direitos diversos entre outras traficâncias da velha intolerância dos tempos de D. João Charuto, e outras novas adequadas às necessidades recentes da gente-bem: menos impostos para os negócios (vai ser curioso acompanhar a reforma tributária, se ela acontecer: como a maior parte dos impostos no Brasil é carregada por quem consome itens básicos, eu me pergunto se um corte de receita de impostos do governo no lado do povo "bolsa-família" satisfaria os negócios apenas por suas conseqüências macroeconômicas ou os deixaria com o muxoxo dos descontentes que não conseguem comprar um Nintendo Wii), instabilidade trabalhista, maior violência policial e prisão para todo mundo.
E este é apenas um dos lados da minha crítica, sempre a ser feita com o melhor bom-humor que eu conseguir ter.
Não nos enganemos a respeito da finesse e da classe dos nossos políticos. Vemos sendo governados por uma certa elite política a aspirar o ar de salões parisienses, para depois entrar em um carro com ar-condicionado no meio do cerrado desde 1960. Antes disso, só mudava que, ao menos, os governantes estavam no Rio.
Libertariamente falando, é salutar que um semi-analfabeto seja capaz de bebericar vinhos finíssimos. Também o é que alguém incapaz de verter um substantivo básico ao plural seja vice-presidente, ou ainda que alguém com imensa dificuldade em escrever duas frases conectadas possa ser presidente: estou falando dos EUA, de Dan Quayle e George W. Bush.
Os que tomavam vinhos caros e charutos cubanos nos nossos palácios antes não me inspiram simpatia maior por terem ido ao MIT e não ao Senai. Já dizia a propaganda de Sprite que imagem não é nada, sede é tudo. Nos EUA, o pré-candidato à Presidência do momento se chama Hussein Obama, e isto é um exemplo de liberdade, da liberdade primeva, daquilo que carregamos entre as nossas orelhas.